O golpe do falso advogado se tornou uma das fraudes mais eficazes em circulação em Bauru e região — e a explicação é desconfortável: ele usa informações verdadeiras. A OAB de Bauru já emitiu alertas públicos sobre o esquema, que evoluiu com o uso de inteligência artificial para clonar voz e imagem de advogados reais da cidade.
Resumo rápido
- O golpista monitora o Diário Oficial e descobre processos reais, com nomes reais de partes e advogados
- Ele cria um WhatsApp com a foto do advogado da vítima e anuncia uma "vitória" no processo
- A liberação do valor sempre depende de pagar "custas", "taxa" ou "imposto" por PIX — e é aí que está o golpe
- Alvará judicial não se libera pagando taxa antecipada por PIX. Isso não existe
- Verifique o advogado no CNA (cna.oab.org.br) e confirme cobranças ligando para o número oficial do escritório
- Se pagou: acione o MED no seu banco, registre boletim de ocorrência e avise o advogado verdadeiro e a OAB
Alerta de agosto/2026: o golpe do falso advogado disparou
Em agosto de 2026, TJ-SP (25/08) e TRF3/IBDP (20/08) emitiram alertas oficiais sobre a explosão do golpe, com foco em precatórios, leilões judiciais e revisões do INSS. O roteiro: contato por WhatsApp ou telefone dizendo que você "tem valores a receber", documentos falsos com aparência oficial (decisões, cálculos, ofícios) e cobrança de "taxas" antecipadas via PIX. Advogado de verdade não cobra taxa antecipada por PIX para "liberar" valor de processo.
Verifique sempre: consulte o ConfirmADV (ferramenta nacional de validação da OAB), o Cadastro Nacional dos Advogados (CNA) e confirme pelo telefone oficial do escritório — nunca pelo número que enviou a mensagem. Esse golpe costuma seguir o padrão do golpe da confiança longa, em que o criminoso cultiva a vítima por semanas antes de pedir dinheiro.
Como o golpe funciona
O processo judicial brasileiro é, em regra, público. Andamentos, nomes das partes e dos advogados podem ser consultados nos sistemas dos tribunais e no Diário Oficial. Os criminosos exploram exatamente essa transparência: garimpam processos com expectativa de pagamento — condenações, acordos, precatórios, alvarás — e montam a abordagem.
A vítima recebe uma mensagem de um número desconhecido, mas com a foto do seu advogado ou o logotipo do escritório. A conversa cita o número correto do processo, o nome correto do juiz, valores plausíveis. Em seguida vem a notícia esperada: "sua causa foi ganha". E, logo depois, a armadilha: para "liberar o valor", é preciso pagar custas processuais, uma taxa de alvará ou um imposto — sempre por PIX, sempre com urgência.
Nas versões mais sofisticadas, os golpistas usam IA para clonar a voz do advogado em áudios e até em chamadas de vídeo curtas. Em outra variante registrada na região, criminosos se passam por delegacia ou órgão do Judiciário e usam uma suposta "chamada de vídeo para depoimento" para capturar a biometria facial da vítima — usada depois para abrir contas e contratar empréstimos.
A regra de ouro que desmonta o golpe
Grave esta frase: alvará judicial não se libera pagando taxa antecipada por PIX. Quando um processo tem valor a receber, o dinheiro é depositado em conta judicial e levantado por alvará — sem que a parte precise transferir nada a ninguém. Custas processuais, quando existem, são recolhidas por guia oficial (no caso do TJ-SP, a guia DARE/custas emitida no portal do tribunal), nunca por PIX para conta de pessoa física.
Advogado sério não cobra "taxa de liberação" por WhatsApp. Se a conversa envolve urgência, sigilo e um QR Code, é golpe.
Como verificar em 3 passos
- Ligue para o número que você já tinha. Não responda pelo número novo. Todo contato do seu processo pode ser confirmado pelo telefone oficial do escritório, aquele que você usou desde o início.
- Consulte o CNA. O Cadastro Nacional dos Advogados (cna.oab.org.br) é público e gratuito: confirme nome, número de inscrição e a foto do profissional. No nosso caso: Faissal Rafik Saab, OAB/SP 233.165 — qualquer cobrança em meu nome pode (e deve) ser confirmada pelos canais oficiais do escritório.
- Desconfie do roteiro, não só do número. Processo "ganho" de surpresa + valor alto + custas por PIX + pressa = golpe, mesmo que a foto, a voz e os dados pareçam perfeitos.
Paguei. E agora?
O prejuízo não termina no momento do PIX — e a reação rápida melhora as chances de recuperação:
- Acione o MED imediatamente. Ligue para o seu banco pelos canais oficiais e peça o Mecanismo Especial de Devolução, que tenta bloquear o valor na conta de destino. Anote o protocolo. Em regra, o pedido pode ser feito em até 80 dias, mas cada hora conta.
- Registre boletim de ocorrência. Em Bauru, pela Delegacia Eletrônica da Polícia Civil de SP (natureza: estelionato, art. 171 do Código Penal) ou presencialmente.
- Avise o advogado verdadeiro e a OAB. O profissional que teve o nome usado pode tomar providências e alertar outros clientes; a Subseção de Bauru da OAB acompanha esses casos.
- Avalie a responsabilidade do banco. Se a transferência destoava do seu histórico — valor, horário, destinatário — e não houve bloqueio nem alerta, a instituição pode responder pela falha de segurança, conforme a Súmula 479 do STJ e o dever de monitoramento da Resolução CMN 4.893/2021. A conta que recebeu o dinheiro também entra na análise: bancos que hospedam "contas laranja" sem verificação adequada têm sido responsabilizados.
Como nos protegemos — e como você se protege
No escritório, adotamos uma política simples que recomendamos a todo cliente: nenhuma cobrança é feita por WhatsApp sem confirmação por outro canal, e nenhum valor de processo depende de taxa antecipada para ser liberado. Na dúvida, a orientação é uma só: desligue e ligue de volta para o número oficial.
O golpe do falso advogado funciona porque mistura dados verdadeiros com pressa. Tire a pressa da equação e ele desmorona.
Fontes: alertas públicos da OAB — Subseção Bauru | Súmula 479 do STJ | Resolução CMN nº 4.893/2021 | Código Penal, art. 171 | CDC
Artigo revisado por Faissal Rafik Saab (OAB/SP 233.165). Atuação exclusiva em Bauru/SP.
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Faissal Rafik Saab
OAB/SP 233.165
Advogado com mais de 20 anos de experiência e 3.000 processos conduzidos, com atuação exclusiva na Comarca de Bauru/SP.
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