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Fui Vítima de Golpe Bancário em Bauru/SP: Passo a Passo Para Agir e Recuperar Seu Dinheiro

Foto de Faissal Rafik Saab, OAB/SP 233.165

Por Faissal Rafik Saab OAB/SP 233.165

Advogado desde 2005 e especialista em Direito Bancário desde 2008 (OAB/SP 233.165). Defendeu as maiores instituições financeiras do país até 2016 e, de 2016 até hoje, atua na defesa do consumidor contra os bancos — usando esse conhecimento dos dois lados em mais de 3.000 processos.

05 Jan 2026 12 min de leitura Faissal Rafik Saab

Descobrir que você foi vítima de fraude bancária é um momento de pânico — e de possibilidade. O que você faz nos primeiros minutos e horas após perceber o golpe pode ser a diferença entre recuperar o dinheiro e perder tudo. Esta é a razão pela qual o conhecimento antecipado do protocolo correto de ação vale tanto: quando o momento chega, você não tem tempo para pesquisar.

Resumo rápido

Se você acabou de descobrir uma fraude bancária:

  • Acione o canal oficial do banco e solicite bloqueio emergencial
  • Documente tudo antes de qualquer modificação: prints, dados e horários
  • Registre boletim de ocorrência imediatamente
  • Ative o BC Protege+ em meubc.gov.br para impedir abertura de contas em seu nome
  • Desconfie de qualquer contato posterior oferecendo "ajuda na recuperação"

Este guia apresenta o protocolo completo, na ordem exata de prioridade, para qualquer tipo de fraude bancária — Pix, cartão, empréstimo não autorizado, acesso indevido à conta ou golpe por telefone.

Antes de Tudo: Mantenha a Calma e Não Tome Decisões Precipitadas

O estado de pânico leva a dois erros igualmente prejudiciais: a paralisia (não fazer nada por não saber o que fazer) e a precipitação (agir de forma desordenada sem priorizar as ações corretas). Respire fundo. Você tem passos claros a seguir. A velocidade importa, mas a ordem também.

Atenção especial: cuidado com o golpe dentro do golpe. Criminosos monitoram suas vítimas e, após a fraude inicial, podem recontatar fingindo ser do banco, da polícia ou de um "especialista em recuperação de valores" para aplicar um segundo golpe. Qualquer contato não solicitado após uma fraude deve ser tratado com máxima desconfiança.

Passo 1: Acesse o Canal Oficial do Banco Imediatamente

Use o número no verso do cartão, o aplicativo oficial do banco ou o site institucional — nunca um número ou link recebido por mensagem. Informe ao atendente ou pelo aplicativo que você foi vítima de fraude e solicite: bloqueio emergencial de todas as operações da conta; alteração de senha de acesso ao aplicativo e ao cartão; e, se houver Pix envolvido, abertura do processo via MED (Mecanismo Especial de Devolução).

Desde outubro de 2025, todos os bancos são obrigados a disponibilizar um botão de contestação diretamente no aplicativo para transações Pix. Para cartões, a contestação também pode ser iniciada diretamente no detalhe da transação. Use esses canais para ganhar tempo — não espere fila de atendimento.

Passo 2: Documente Tudo Antes de Qualquer Outra Ação

Antes de fazer qualquer modificação em conversas, mensagens ou configurações, documente tudo que possa servir de evidência: capturas de tela das conversas com o golpista; dados bancários fornecidos ou utilizados (chave Pix, número de conta de destino, valor, horário); número de telefone exibido ou mensagem recebida; e qualquer contrato ou documento fornecido por falsa financeira ou corretor.

Essa documentação é fundamental para o boletim de ocorrência, para o processo de contestação no banco, para reclamações regulatórias e, eventualmente, para ação judicial. Não a perca.

Passo 3: Registre o Boletim de Ocorrência

O boletim de ocorrência (BO) é indispensável. Ele formaliza o crime, é exigido pela maioria dos bancos como parte da instrução do processo de contestação e é o documento que fundamenta qualquer ação judicial futura. Pode ser feito online pelo site da Delegacia Eletrônica do seu estado — sem necessidade de ir pesencialmente a uma delegacia na maioria dos casos — ou presencialmente.

No BO, inclua: natureza do crime (estelionato por meio eletrônico, conforme a Lei nº 14.155/2021); data e horário; valor; meios utilizados pelos criminosos; e todos os dados disponíveis sobre o golpista. Guarde o número do protocolo do BO.

Passo 4: Ative o BC Protege+ Imediatamente

O BC Protege+, criado pela Resolução BCB nº 475/2025 e disponível gratuitamente em meubc.gov.br desde dezembro de 2025, permite que você registre uma restrição que impede a abertura de novas contas bancárias em seu nome sem a sua autorização. É uma proteção essencial pós-golpe: criminosos frequentemente usam os dados obtidos numa fraude para abrir contas-laranja em nome da vítima imediatamente após o golpe.

Acesse o portal Meu BC com sua conta Gov.br, navegue até a seção BC Protege+ e ative a restrição. O processo leva menos de cinco minutos e pode evitar um dano secundário significativo.

Passo 5: Monitore Sua Situação Financeira Completa pelo Registrato

Acesse o Registrato do Banco Central (registrato.bcb.gov.br) com sua conta Gov.br para obter uma visão completa de todos os seus relacionamentos financeiros: contas bancárias abertas em seu nome, operações de crédito ativas, chaves Pix cadastradas e câmbio. Se houver alguma conta ou operação que você não reconhece, reporte ao banco responsável e ao BCB.

Essa consulta revela se o golpista usou seus dados para abrir contas ou contratar crédito antes mesmo de você perceber a fraude. Faça essa verificação nas primeiras horas após identificar o golpe e repita nos dias seguintes.

Passo 6: Altere Todas as Senhas e Revogue Acessos

Troque a senha de acesso ao aplicativo bancário, ao internet banking e ao cartão. Se você usa a mesma senha em múltiplos serviços — e-mail, redes sociais, outros bancos —, troque em todos. Revogue acessos de dispositivos não reconhecidos no aplicativo do banco. Se o golpe envolveu acesso ao seu celular, considere fazer um reset de fábrica após salvar os dados importantes — e antes, remova qualquer aplicativo desconhecido instalado recentemente.

O Que Fazer Nos Dias Seguintes

Acompanhe o processo de contestação junto ao banco. A Resolução CMN nº 4.949/2021 estabelece que o SAC deve dar uma resposta em até 5 dias úteis; a Ouvidoria, em até 10 dias úteis (prorrogáveis por mais 10). Se o banco não responder dentro desse prazo ou negar a contestação sem justificativa adequada, registre reclamação formal no Banco Central (bcb.gov.br) e no Procon do seu estado. Mantenha registro de todos os contatos, com data, hora e número de protocolo.

Fontes: BCB FAQ pós-golpe (bcb.gov.br) | Res. BCB nº 493/2025 (MED 2.0) | Res. BCB nº 475/2025 (BC Protege+) | Res. CMN nº 4.949/2021 | Súmula 479 STJ | Lei nº 14.155/2021 | Registrato (registrato.bcb.gov.br)

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Faissal Rafik Saab

OAB/SP 233.165

Advogado com mais de 20 anos de experiência e 3.000 processos conduzidos, com atuação exclusiva na Comarca de Bauru/SP.

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